15 de dez. de 2007

Água

Num dia cinzento, lágrimas de chuva
caem no rosto de quem sai à rua.
E confundem-se as gotas de mágoa
com as lágrimas das gotas d`água.

Tempestades, chuvas ou garoas,
trovões fortes nós soluçaremos.
Nas enchentes não faltarão remos
para sobrevivermos nas canoas.

Movimentarmos sobre as águas tensas
com a força grande que nos há no braço.
"Que fazer?", dirás, no entanto pensas,
que remando é que se vai ao espaço.

Tudo volta, a nuvem liquefeita,
dispara à terra a água evaporada.
E a natureza uma vez mais espreita:
a perpétua vida a nós é que foi dada.

Mas há um ciclo, um ciclo em plenitude,
da história, d`água, e das oitavas.
E os muitos acordes de um alaúde
são os mesmos numa mesma escala.

Viver um ciclo é saber que o agora
repetirá a si mesmo, ignorante.
A chuva que cai daqui a meia hora
é a mesma chuva de qualquer instante.

Um comentário:

Anônimo disse...

olá Leo, muito bom o poema, faz pensar... e remar tb :)

beijos

Fla.arian diretamente do Brasil! hehe