15 de dez. de 2007

O amigo secreto

Era o fim de ano e Renato tinha dado a idéia de fazer um amigo secreto. Com isso tinha a idéia de aumentar o coleguismo e a aproximação das pessoas no ambiente de trabalho. Isso ou qualquer outra coisa que ensinam nesses manuais de motivação.
Renato era o inventor da brincadeira, mas não sabia o que fazer quando descobriu que tirou uma pessoa completamente desconhecida: Mariana. Ela era tesoureira, tinha cara de bibliotecária e só vinha trabalhar com roupa social. Era bonita, não fosse séria o tempo todo. Tinha sempre a cara amarrada.
Era difícil imaginar que ela sorriria quando recebesse o presente de quem quer que fosse. Era da sua natureza ser isolada. Ia para casa e para o trabalho sozinha, e também nunca almoçava com ninguém. Salvo raras vezes em que ela almoçava com a Luciana, estagiária dela.
"Ela deve ter um gosto sofisticado", pensou ele. Esperou pela lista de sugestões de presentes, já imaginando que seria algo caro. Surpreendeu-se ao encontrar o seguinte na sugestão de Mariana: "Quero algo que me faça rir. Se eu rir do seu presente, você, meu amigo secreto, terá dado o presente certo".
Renato sempre teve vocação de gozador, era um especialista em fazer as pessoas rir. No entanto nunca conseguia fazer Mariana rir. Falava pouco com ela, é verdade. Mas toda graça que ele fazia na frente dela resultava numa risadinha irônica do tipo "estou infeliz".
Mas ele achou um presente engraçado para Mariana. No dia do Amigo Secreto, logo após descobrir que a sua chefe havia lhe tirado, ele anunciou quem era a sua amiga secreta. Suspense na hora dela abrir o presente.
- Oscar Wilde! Obrigada! Você me fez rir!
- De nada. Imaginei que você gostasse dele pela sua risadinha irônica. Imaginei que tivesse algo de Wilde no seu jeito.
- Nossa, acertou. Me convida pra sair hoje?
Renato não entende a pergunta.
- Por que?
- Porque eu quero que você me faça rir, e não o seu presente.
Renato não estava acostumado a receber cantadas. Ficou envermelhado como um tomate após a resposta assertiva de Mariana. Inerte ele respondeu:
- Tá.
E desde aquele dia não houve mais segredo entre eles.

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