15 de dez. de 2007

O dinheiro toma decisões

Eu sou liberal, é verdade. Gosto da liberdade. Venho de um lugar onde o povo é livre. O povo, você sabe, gosta de se aglomerar. Seja em torno dos rios, seja sob a batuta do faraó, seja em determinadas fazendas. Alguns preferem as fábricas, outros, as metrópoles. Por fim, temos as empresas, a organização social mais livre que poderia existir. O critério é o da seleção natural: o vencedor, permanece. O mais fraco, cai. O que importa, nesse engenho, é o dinheiro.

Tem sempre aquele que diz que o dinheiro não importa. Há o que determina que o que realmente importa é o amor. Nada disso é verdade. O que importa é liberdade. Mas veja, falamos aqui não da igualdade. Liberdade busca alguma igualdade através da fraternidade. São as três cores da bandeira americana, mas a cor que está mais presente, é claro, é a da liberdade: a branca.

Como a minha liberdade exige mais espaço que a sua, isto é, como ela exige mais de mim do que de você, ela é maior do que a sua. Eu não poderia aceitar que a sua liberdade fosse igual à minha. Eu não quero andar por onde você anda. Eu não quero viver onde você vive. Eu não quero ser igual a você. Eu sou superior, um ser superior, enriquecido em proteínas, em cálcio, em ferro e em gorduras saturadas. Saiba muito bem: estou determinado a viver sendo livre e desigual como estou.

Minha busca pela igualdade, como dito, resumiu-se à fraternidade. Sou enlouquecido por crianças e já cheguei a abrir uma empresa de filantropia, em que contratava pessoas portadoras de deficiência e fechava contratos de trabalho temporário nas empresas, tudo para que eu ganhasse mais dinheiro e os pobres, é claro, também.

É inegável: quanto mais gente tiver dinheiro, mais eles vão gastar e mais eu vou ganhar. Este é o jogo.

O jogo, vocês perceberam, não passa de uma competição. Não por acaso, a teoria dos jogos têm revolucionado os estudos econômicos na área da matemática. Proposta pela primeira vez pelo matemático genial e esquizofrênico John Nash, ela vem sendo estudada para compreender o comportamento do mercado. O mercado, meus amigos, é um jogo, e um jogo é trabalhado com probabilidades. Se há cinco produtos e eu escolho um e não o outro, deve haver alguma coisa errada. Certamente o dono de uma fábrica deverá perceber que sua marca tem algum problema e tentará melhorar o seu produto. Se ele consegue e vende mais, ele vence o jogo.

As estratégias são um jogo de xadrez. Imagine um enorme tabuleiro em que cada peça tem a sua função. Existem os peões, as torres, os bispos, os cavalos, o rei e a rainha. Eles determinam o destino do presente e, desta forma, homenageiam um futuro. Por terem liberdade, são capazes de criar estratégias de vida dinâmicas e complicadas, o que permite que cada um sinta a experiência de viver. É o que importa. Viver é sofrer e sorrir. A idéia da experiência de vida é feliz. Portanto, se como idéia ela é assim necessária, é assim que ela deve se fazer.

Assim, as peças mexem-se de acordo com o jogo. Elas optam por diferentes caminhos, sempre sendo propostos de maneira livre, com cada grande competidor de um lado, jogando a bola para outro.

A teoria dos jogos tenta desvendar e ordenar o jogo, de forma a prever melhor os seus resultados e tomar medidas - intervencionistas, quando necessário - para que não acabe tudo na lama. E também para que as pessoas fiquem felizes. Um indivíduo que não consegue consumir o que a sua sociedade lhe oferece, não pode ser feliz. Certamente ficará triste quando perceber que não consegue fazer nada, a não ser comer, beber, sair, voltar e dormir.

Pense no comunismo. Os comunistas basearam-se em experiências desastrosas de controle social. Veja em Cuba o que aconteceu: Fidel controla a vida de todos os seus cidadãos. Ele sabe o que cada um come, o que cada um veste e o que cada um precisa para sobreviver.

Ele fornece, a cada qual, o ideal para que se sobreviva e então diz a eles: vivam. O que eles poderão fazer se não têm o que fazer? Nada. Com o pouco que possuem, acabarão gastando em copos de rum, sem direito a coca-cola.

Sou da linha do império anglo-saxônico, não sei se você percebeu. De certa forma, a Era Vitoriana trouxe ao mundo essa idéia de liberdade, desde que ela pudesse continuar rica e poderosa, controlando o poder militar e podendo matar qualquer um que aparecesse em seu caminho.

Entrar numa guerra hoje contra os britânicos e os americanos significaria a morte para qualquer um que se atreva. Não se pode brincar com os impérios, porque eles sabem reagir. Sobretudo se são poderosos e sadios. E eu acredito que a linha do império é a melhor a se seguir no momento.

Veja você o que aconteceu no Brasil. Aqui, privatizamos as empresas estatais. Ganhamos mais competitividade. Nas estatais, todo o processo de decisão era muito moroso. Eles não jogavam direito, tinham idéias socialistas e não queriam ganhar cada vez mais dinheiro. O lucro não estava implementado no cérebro deles como forma de evolução. Depois de privatizados, bancos passaram a produzir melhor, a adquirir mais contas, a melhorar o atendimento, enfim, a fazer um serviço bom e de qualidade.

Há exemplos de empreendedores nacionais e geniais. É o caso de alguns bancos, que investiram pesado em tecnologia e hoje contam com menos caixas e mais caixas automáticos. Em nome da eficiência e do aumento do lucro, um liberal vai atrás do que lhe dá mais dinheiro.

Não gosto de censuras, nem de cortes no que quero fazer e aposto numa sociedade anarco-capitalista. Sou uma pessoa ultraliberal, que acredita que as corporações devem gerir sobre determinados grupos de pessoas de um certo local. Este grupo só teria um único vínculo com a indústria: o seu salário. Com ele, poderia sobreviver comprando as coisas dos outros e isto seria suficiente. Não há necessidade de governo, de impostos, de incentivos, de administração central, de burocracia, de tecnocracia, nada disso. Os líderes serão os homens que têm condição de aumentar os lucros, e os liderados serão os homens comuns.

Os líderes serão obstinados naquilo que fazem e farão de tudo para deixar a sociedade como está. Se quisermos melhorá-la, vamos juntar empresários em ONGs e, desta forma, promover melhorias nos sistemas. A idéia é sermos livres. De certa forma parecido com o que previu Huxley, mas aqui não teremos aquela baboseira de hipnose. Aquilo, como hoje se sabe, não funciona.

O povo gosta mesmo é de argumentos. Por isso, nós liberais, sempre vamos vencer em tudo o que fizermos. Sempre estaremos ao lado dos governos para influenciá-los e deixá-los de lado. Já vivemos numa espécie de anarco-capitalismo, vocês não notaram? Pois é. Quem você acha que toma as decisões? O Senado?

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