Estou com um olho aberto
e o outro fecho para ter
a visão de um olho certo
e outro na mente quero ver
se o que um olho enxerga
fica claro quando sonho.
Se o que me é meio medonho
sem meio medo se enverga
e entorta as vibrações
paralisadas na retina.
Arsênico, estricnina!
O veneno na metade
isolada do pensamento
entra com poeira e vento
e com a imagem pela córnea.
E se isola, e se inverte,
e fica fosco, sai do foco.
Para que tudo se desperte,
para que o muito seja pouco.
Vejo tanto, estou perplexo,
com o que fica no reflexo,
com os atos que não vejo,
com o lábio que não beijo.
Tanta coisa eu desejo,
nem tanta coisa acerto.
Por isso fecho um olho
e o outro fica aberto.
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