15 de dez. de 2007

Nelson Rodrigues psicografado

Amigos, somos os maiores humanos do planeta Terra pela quinta vez. Quer dizer, eu me arriscaria a dizer que já fomos os maiores do mundo mesmo sem sê-los. Basta rever a seleção de 86, por exemplo. Alguns apressados já se adiantarão a dizer que eu mal conseguia ver os jogos vivos, quanto mais morto. Mas eu vi que o escrete de 94 fez muito sucesso com aquele jogo rebuscado e chato, conforme os críticos disseram na época. Eu confesso que me mexi no túmulo e pensei, na ocasião, em escrever alguma coisa para escrachar os mal-vencedores que são os brasileiros. Felizmente não estava com tanta vontade assim de escrever. Sabe como é: no céu o homem se apodrece de preguiça.
Pois é: aqui no céu tudo é bonito, mas a Terra ficou muito mais linda com a vitória da seleção. Impressionante essa copa. É claro que há aqueles que dirão que o sorteio ajudou, que pegar a Turquia duas vezes é marmelada. Mas eu acho que essas pessoas não têm o que dizer, afinal o Brasil foi superior à Aquiles. Explico: Aquiles era um desses mitos gregos cuja particularidade era ter um tornozelo fraco. O Brasil tinha um tornozelo, um joelho e uma defesa fraquíssima e, ainda assim, venceu.
Confesso, no entanto, que o tal Scolari me surpreendeu. Ele tem a personalidade forte dos gaúchos, desses que mandam os jogadores bater para não apanhar. Admiro muito o jogo forte dos argentinos e dos uruguaios, como já me cansei de dizer aqui para vocês. Mas nesta seleção Scolari botou o time para frente. Colocou Roberto Carlos, o rei da Coxa, e Cafu, o corredor de 100 metros rasos, para frente. Descobriu completamente a defesa e botou o time para atacar. O problema é que com esse esquema a seleção sofreu muita pressão, especialmente no contra-ataque. O time só se acertou com a entrada de Kléberson para ajudar na marcação. Ainda assim, amigos, atacávamos com 7 e defendíamos com 4. A situação realmente estava difícil.
Mas ganhamos, é o que importa. Ataque mais positivo, artilheiro brasileiro e vice-artilheiro também. Agora... esse tal de Ronaldinho foi uma surpresa. Ate São Pedro, aqui do meu lado, resolveu abandonar as tempestades que jogaria sobre o Japão para vê-lo jogar. É impressionante. Fez gol de bico, dando pique, driblando. Fora os gols de que foi co-autor.
Rivaldo, este sim me surpreendeu. De fato jogava melhor entre os espanhóis do que entre seus patrícios. Eu mesmo me irritava em vê-lo na seleção e já pensava em colocar o Ricardinho em sua posição. No entanto ele me surpreendeu com a vice-artilharia. Para mim foi o jogador da copa. Aquela deixada de bola para Ronaldo marcar em cima do tal "Muro de Berlim", ou ainda, "Gengis Khan" alemão foi um lance de gênio. Digno de uma placa.
O gol do Edmílson ainda na primeira fase foi outro primor. Fez Deus ficar arrepiado aqui do meu lado enquanto assistíamos à partida. Ele disse que não esperava, mas em se tratando de Deus, melhor não acreditar. Aliás, parece que ninguém acreditava que o Brasil seria campeão. Deus, brasileiro que é, ria da cara de vocês aí embaixo, com esse eterno complexo de vira-latas que só é derrotado com a vitória da brasileirice diante da eficácia alemã. Ganhamos fácil. E dos ingleses? Foi mais difícil, mas o tal do David Beckham acabou "going Backhome". Somos melhores do que eles, pode acreditar.
Agora eu vou continuar aqui no meu sono eterno. Não pretendo me manifestar por enquanto. Só quando vocês aí embaixo me acordarem para uma nova festa em 2006. Vejam vocês que 6 e Hexa referem-se à mesma coisa. Não vai ter para ninguém, pode ter certeza.

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