15 de dez. de 2007

Novus Ordo Seclorum

- Eu preciso de um financiamento.
Eu olho para ele, o Gigante. Ele parece ter tudo à disposição e os argumentos mais eficazes. Brigar contra ele exigia bem mais que o estilingue de Davi. Golias era ridículo perto dele.
- Quem é você, amigo?
- Eu? Meu nome é Brasil.
João Brasil, eu disse. Eu queria dizer que era meio atrapalhado, mas não podia. Isso é o que não se pode dizer diante de quem financia. E eu tinha dívida para rolar, eu só queria trocar uma dívida por outra, com juros menores. Gigante até que era bondoso, ele tinha o menor juro do meu pobre universo conhecido.
- Meu amigo, você sabe quem sou eu?
Eu tive dúvidas sobre quem ele era. Eu sabia que ele era o Gigante, que tinha juros mais baixos e tudo o mais. Tive medo da pergunta.
- Você é o Gigante, certo?
- Eu briguei com a minha mãe faz um tempo e resolvi dominar o mundo. Aprendi com ela aliás, a ser um líder nos meus negócios, sabe por que?
- Por que?
- Porque eu sou livre e tenho a força, meu amigo.
Ele olhou para mim com uma metralhadora na mão. Estava escondida debaixo da mesa. Tomei um susto enorme.
- É só para os meus inimigos. Acalme-se.
- Ah, bom...
- Mas você quer ser meu inimigo?
- Eu? Eu não!
- Você tem certeza que não?
- Absolutamente! Nunca seria teu inimigo! Que é isso, eu preciso rolar uma dívida, preciso da sua ajuda, onde já se viu tamanha pressão. Me ensina como eu devo proceder...
- Seguinte... mantenha a sua família com diferenças enormes de renda. Dê sempre tudo de bom e de melhor para o seu filho e nada para a sua esposa, pode ser?
- Mas por que?
- Se você fizer isso, meu amigo... eu te empresto bastante dinheiro e com um juros bem tranquilo. Tão tranquilo que você vai me pagar só os juros.
- Ah... tudo bem!
E assim vamos até hoje.

Nenhum comentário: